COLUNA PATRICK CRUZ - FUTEBOL SC

O Natal da esperança colorada

 Suelen Chaves, princesa e, agora, musa colorada: até a monarquia compreende a importância dessa camisa
Foto: Nilton Wolff / O Goleador

Dizia-se que Pelé estava acabado para o futebol na Copa de 70. Seu auge teria ficado no passado, cochichavam os abutres, cometendo a baba podre dos que esperam a queda alheia para se fartar. Pois quando Pelé desceu para o vestiário, sob urros definitivos, após a vitória na final daquela Copa, o que se ouvia dele não eram vivas, sambas ensaiados ou louvores carolas: eram descarregos de raiva. “Eu não morri, não! Eu não morri, não!”, gritava o Rei. “Eu não morri, não!”

Nem os poetas e suas mesóclises conseguiriam exprimir a onda positiva que se criou em torno do Internacional de Lages nas últimas três semanas. Os linguistas, tampouco. Talvez, quem sabe, autoridades mediúnicas – mas só porque o jogral não seria deles, e sim de terceiros muito mais sábios. “Nós nunca morremos! Nós nunca morremos!”, gritariam Setembrino, Vivaldino Athayde, Cláudio Radar, Capitão Lindolfo, Puskas, Jones, Leo, Hamilton Buck, Camargo Filho, João Saldanha, Rogério Sbruzzi e centenas de outros. “E nós nunca vamos morrer!”

No início deste mês de dezembro, José Carlos Susin, o Zezé, assumiu a presidência do clube, substituindo uma diretoria há muito inerte. Foi o que bastou para que se desse vazão a um sentimento que só pode ser comparado ao fim do coito interrompido: nos jornais, fala-se de Inter de Lages com frequência inédita; rádios, TVs, sites e blogs vendem as novidades com o frêmito dedicado ao pão quente. Até Suelen Chaves, do alto de sua monárquica insígnia de princesa da Festa do Pinhão, dispensou mantos de outras paragens: quis ela ser fotografada como torcedora do time de sua cidade.
Fila de banco dá sono - e dá Inter
Nas ruas de Lages – e, agora, também nas cidades que a cercam, já que o Inter sempre foi uma bandeira regional –, ouve-se falar de Inter até na mais sonolenta fila de banco. Veem-se camisas do time nas ruas, mesmo que o clube esteja distante quase meio século de seu feito mais notório, o estadual de 1965.

Este é o primeiro Natal pós-mudança de comando no clube. O Inter está a oito meses – OITO, repito – de sua próxima partida oficial. Ainda assim, debate-se Inter, respira-se Inter, pergunta-se e responde-se sobre o Inter a cada duas ou três rodas de conversa.

É possível que o Colorado Lageano dispute e perca a próxima edição da divisão de acesso do Campeonato Catarinense. De vitórias e derrotas é feito o esporte, afinal. Mas, a julgar pela incomparável aura positiva criada em torno do clube – e que visitem Lages os incrédulos para que eles mesmos testemunhem esse fenômeno –, este é, definitivamente, o Natal da esperança colorada.

Mundo, dê-se por derrotado:

Nós não morremos, não!

Nós não morremos, não!

Nós não morremos, não!

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