LUTO


Morre em Lages, o " Zé do Campo "
FONTE: CLMais

Morreu na madrugada deste sábado (16) José Amadeu de Souza, de 91 anos, conhecido com “Zé do Campo”. Ele dedicou 50 anos de vida na preservação e corte da grama do campo do Estádio Vidal Ramos Júnior, em Lages. Em Lages, a qualidade do campo do Estádio Vidal Ramos Júnior, que dependeu do trabalho de José Amadeu de Sousa, de 88 anos - 50 dos quais dedicados ao Vidal - sempre rendeu elogios, um deles foi o corte da grama em faixas. “O prefeito da época (Raimundo Colombo) gostou muito e disse que eu tinha trazido o Maracanã para Lages”, conta o ex-jardineiro, ao lembrar que naquele ano somente o Estádio carioca possuía o modelo de corte por faixas.
  
Zé do Campo, como ficou conhecido, conta com orgulho que até os 80 anos ainda plantava grama e que foi ele quem plantou a primeira do Estádio e levantou o muro, juntamente com seu irmão Sebastião. “Usamos 39.500 tijolos”, recorda. Foi ele também, junto com sua esposa, a dona Maria Dirce, que plantou os dois pinheiros no Estádio que até hoje embelezam o espaço. “Minha esposa plantou o macho e eu a fêmea”, conta o homem, que virou uma lenda viva, pois sua história se mistura com a do Estádio. Além de gostar do que fez a vida inteira, Zé do Campo também foi testemunha da história do esporte serrano. O futebol catarinense passou pelos seus olhos ali, pertinho e, segundo ele, com jogos inesquecíveis, porém não pode descrever os detalhes que às vezes fogem da sua memória.
  
O “rei do gramado” já teve, por vezes, seu trabalho reconhecido, e por conta disso a gratidão dos desportistas lageanos se eternizou, visto que, em homenagens a desportistas, o nome dele sempre está incluído. No seu acervo há placas, medalhas, troféus, flâmulas, recortes de jornais e muitas fotografias. O reconhecimento pelo seu trabalho é tamanho que ele sempre foi considerado um membro do Internacional e, por isso, nas suas relíquias é fácil ver faixas de campeão do Colorado Lageano.

Apesar de ter tido dois acidentes vasculares cerebrais (AVC), que o deixaram mais lento, Zé do Campo está lúcido e gosta de conversar. Ele conta sobre quando o time do cantor Daniel veio jogar na cidade, em novembro de 2004, a convite do Lages 100 Fome. “Foi uma grande honra e pude chegar perto dele”, comenta, ao salientar que tem muita saudade de cuidar do campo. Ele concorda que cuidar da grama é um dom, por isso o fazia com satisfação. Zé do Campo morou no “Tio Vida” por cinco décadas e lá criou os seis filhos.

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